Os Media e as Sondagens

Não será fácil, fruto das circunstâncias, deixar de prestar umas breves notas relativamente às eleições Norte Americanas.

Confesso que acompanhei de forma atenta todo o processo, contudo, manipulado por uma amostra enviesada, nunca acreditei na viabilidade da candidatura de Trump. Tal facto exige uma reflexão ponderada, sobre o real poder dos Media e o acerto das sondagens.

Os Media traduzem a sua influência em dois planos de ação distintos, um direto e imediato e o outro dissimulado e mediato. O primeiro assente nos Opinion Makers, servindo-se do seu reconhecimento público, molda os interesses e pensamentos da opinião pública, condenando ou absolvendo, aprovando ou rejeitando, em ultima rácio condicionando o livre arbítrio. O segundo encontra na subtileza o seu maior trunfo, dificilmente é detetado e a sua eficácia é superlativa, esconde-se por trás da realidade apresentada, serve a parte como um todo, consciente, porém, que apenas mostra a porção que lhe aproveita tirando daí os necessários dividendos, não mente, mas omite.

As sondagens constituem um dos espelhos mais fidedigno da influência dos Media e, como tal, é notória a promiscuidade entre a ação ou inação destes e os valores obtidos em sondagem.

Criticar as sondagens, por errarem de forma evidente os resultados, sem criticar os Media que as influenciaram é, com o devido respeito, compactuar com esta forma de ingerência, e não entender onde está o erro.

Muito poderia ser dito, ainda assim, quanto à leitura errada das sondagens, contudo se olharmos ao perfil dos candidatos e ao tipo de campanha adotado, entendemos que existiu uma grande votação não assumida, que utilizou a privacidade plena do voto secreto para optar livremente, sem a pressão de Hollywood, dos Media ou até mesmo do Presidente em exercício.

A soberania dos Estados tem de ser respeitada, pelo que não me cabe, qualquer juízo de valor quanto aos resultados apurados, ainda para mais, quando o Estado é democrático e de Direito e as eleições foram livres e participadas. Qualquer comentário relativamente aos candidatos estaria certamente ferido de parcialidade fruto da “meia informação” que estava disponível.

Permitam-me concluir, solicitando abertura de pensamento consubstanciado em opiniões mais firmes e cada vez menos construídas ao sabor dos programas vespertinos de televisão. Pois tal como disse Malcolm X, “se não formos cuidadosos, os Media levarão o cidadão comum a odiar os oprimidos e a amar os opressores”.

Paulo Rodrigues dos Santos

Secretário-Geral da JSD Distrital Santarém