Uma geração adiada

Na minha geração parece existir uma corrida contra o tempo. Parece sempre que conquistamos tudo um pouco tarde demais. Vai parecer sempre muito pouco. Muitos dizem que nos faltam objetivos de vida, objetivos enquanto geração… No entanto, temos uma série de bandeiras, o ambiente, a economia, a política e até a educação.

A questão ambiental é porventura a questão que mais unirá esta geração. No nosso distrito temos uma série de casos em que a questão ambiental é um problema e que os sistemas político e judicial teimam em resolver. A poluição do rio Tejo ou do rio Almonda não são questões menores para a minha geração, e o que foi feito? Em alguns casos até os autarcas, que outrora aprovaram a laboração das empresas poluidoras, encabeçam manifestações contra a poluição dos rios. Em demagogia os jovens não se revêm. Temos no mínimo que deixar o planeta nas mesmas condições que os nossos pais nos deixaram. Nesta questão o fatalismo não poderá entrar, mas sim uma excelente oportunidade para desenvolver o mundo em mais uma área essencial para que não o esgotemos.

Nos anos da crise económica Portugal registou uma elevada taxa de desemprego jovem, que levantou questões relacionadas com a exclusão social. Porventura seremos a primeira geração em que o nosso nível de vida será inferior ao dos nossos pais. Alguém já pensou como se pode projetar uma economia para inverter isso? O nosso sistema de segurança social irá aguentar tal como está por muito mais tempo? Talvez sintamos que vivemos num país que estará a empurrar os problemas ao longo do tempo, para que depois alguém resolva.

“Temos uma série de desafios a pensar e a ultrapassar enquanto geração.  Talvez estejamos a “meio da ponte” em várias questões e ninguém queira atravessá-la, mas quer na Europa em geral, quer em Portugal em particular está na hora de termos voz e cruzar essas pontes. Cabe à minha geração lutar pelo que acredita, pois não podemos correr o risco de deter o sentimento que a geração dos meus pais talvez tenha em relação ao estado de coisas…”

Nos anos da crise económica Portugal registou uma elevada taxa de desemprego jovem, que levantou questões relacionadas com a exclusão social. Porventura seremos a primeira geração em que o nosso nível de vida será inferior ao dos nossos pais. Alguém já pensou como se pode projetar uma economia para inverter isso? O nosso sistema de segurança social irá aguentar tal como está por muito mais tempo? Talvez sintamos que vivemos num país que estará a empurrar os problemas ao longo do tempo, para que depois alguém resolva.

As formas de fazer política já não cativam os jovens, porque se faz política como se fazia há 30 anos? Que interesse tem uma visita a um mercado? Quantos jovens vão aos mercados no seu dia-a-dia? Porque queremos folhetos se podemos analisar tudo em formato digital? Porque vou a uma palestra, se posso ver o direto em qualquer lugar, no meu smartphone? Tudo mudou na forma como interagimos, e a política terá que acompanhar esta mudança. É necessário experimentar comunicar de outras formas e em novas plataformas. O Partido Social Democrata deu um sinal de mudança colocando jovens em lugares cimeiros das listas para a Assembleia da República e também para o Parlamento Europeu. Talvez as questões do sistema político e educacional serão as que poderão alterar o falso alheamento dos jovens da participação cívica.

O sistema educativo é fundamentado nos princípios elaborados na primeira revolução industrial. Ora nós estamos perante a quarta revolução industrial, algo não evoluiu. O mundo incorporou as novas tecnologias de forma muito rápida e nas escolas a incorporação está a ser muito lenta. Existe um desfasamento entre as competências que nós jovem necessitamos e as ferramentas que o sistema educativo nos fornece. A flexibilidade e a multidisciplinariedade são essenciais nos sistemas educativos de qualquer nação na atualidade, e nós não estamos a conseguir introduzi-las nas escolas. Necessitamos urgentemente de colocar os jovens a saber programar, porque no futuro qualquer cidadão tem que saber programar para acompanhar a evolução do mundo e para utilizar as suas ferramentas no dia-a-dia. A maioria dos estudantes atualmente têm a perceção de que o que aprende na escola é muito desfasado da sua vivência diária. É essencial que os estudantes sejam incentivados a abraçar novas oportunidades, como as novas tecnologias e a digitalização.

Temos uma série de desafios a pensar e a ultrapassar enquanto geração.  Talvez estejamos a “meio da ponte” em várias questões e ninguém queira atravessá-la, mas quer na Europa em geral, quer em Portugal em particular está na hora de termos voz e cruzar essas pontes. Cabe à minha geração lutar pelo que acredita, pois não podemos correr o risco de deter o sentimento que a geração dos meus pais talvez tenha em relação ao estado de coisas...

Francisco Sarmento

Vogal da Comissão Política | JSD Distrital de Santarém