Autárquicas de 2017

Permitam-me um primeiro agradecimento ao Tiago Carrão pelo convite que me endereçou para escrever neste fórum. No encalço de tal desafio, tomei a liberdade de redigir algumas considerações pessoais, relativamente à temática das eleições autárquicas do próximo ano.

A escolha prende-se com um motivo emocional e outro racional. Ora, quanto ao primeiro, porque a intensidade das autárquicas não tem qualquer paralelo com outros sufrágios. Nada dá mais prazer, responsabilidade e autenticidade que apresentar projectos para as nossas gentes, paras as nossas terras, com e através de cidadãos que conhecemos do diariamente. Aqui não existem os “políticos” dos media… é tudo real, genuíno, verdadeiro e concreto.

Racionalmente trouxe à reflexão este tema, pois que falta menos de um ano para este acto eleitoral. É curioso que já ouvi alguns tácticos políticos (todos no poder e em crítica directa à oposição quando aborda este tema) que é muito cedo para falar sobre o assunto. Na minha modesta opinião, este é o justo momento. Quem acha que se constrói uma solução de alternativa ou de continuidade para um concelho num par de meses, e a passo de galope, só demonstra às suas pessoas que o melhor que podem apresentar não foi alvo de profunda reflexão, estudo e consolidação. Os nossos eleitores merecem consideração, ou seja, projectos válidos, exequíveis e ponderados, que melhorem aspectos do seu quotidiano. E, sinceramente, o provérbio não engana: “Depressa e bem, não há quem!”.

Quem é que acredita num projecto estável e duradouro quando, em primeiro plano, não une as pessoas da mesma estrutura?

Outro ponto importante são os agentes activos destas eleições, ou melhor, os candidatos dos partidos políticos e dos movimentos independentes. Estas pessoas, mandatadas pelas estruturas (a)partidárias locais, com as suas ideias, tentam esclarecer e influenciar os seus concidadãos de como encaram o futuro e o que desejam prosseguir nos seus concelhos.

Contudo, antes das vésperas e neste tempo, os desafios inerentes ao tempo de um mandato de quatro anos tem sido apanágio, e não tão poucas vezes assim, de lutas menores no seio das estruturas para a escolha destes agentes activos. Este dilema é natural numa estrutura liderado por homens e mulheres com raciocínio e opinião própria. Problemático e dramático é quando se transmitem estes sinais para a sociedade. E a história tem sido repetitiva quando a harmonia, a convergência e a união não se sente por dentro da estrutura (a)partidária: não logram o resultado expectável. Pois, pudera, quem é que acredita num projecto estável e duradouro quando, em primeiro plano, não une as pessoas da mesma estrutura?

Outro aspecto nevrálgico numas eleições autárquicas é o “ponto jota”. Não há longevidade nem credibilidade num programa sem o contributo e o crédito dos jovens. Não só dos jovens das juventudes partidárias mas daqueles que, às vezes sob o anonimato, desejam um futuro mais aliciante para o seu concelho e de meia oportunidade para investir na sua terra.

É preciso ter sempre presente que, além das responsabilidades que hoje assumimos, também somos eleitores conscientes e críticos.

Votos de um Santo Natal e uma excelente entrada no 2017, que promete trazer uma esperança renovada. Um abraço,

Luís Serras de Sousa

Vice-Presidente | JSD Distrital Santarém
Presidente | JSD Ourém